O maior centro de filosofia do país, dizem, está na Universidade de São Paulo. Santa Catarina, Recife e Rio de Janeiro, bem como diversos estados brasileiros – representados por suas grandes universidades federais – reclamam esta láurea, etc.
Acontece que o maior nicho de filósofos do Rio Grande do Sul está localizado não na UFRGS – eles que disputem o título brasileiro com os demais – mas no Bolicho do Klaus, localizado ao município de Dois Irmãos.
O Klaus, acho por bem explicar, é filósofo por vocação e formação. Bolicheiro, por opção.
Como todo o bom (ou não) alemão (ou descendente até a quinta geração), Klaus é um sujeito fortemente dotado de perseverança (atributo este que os freqüentadores do bolicho definem injustamente como teimosia) e ataca veementemente qualquer conviva que adentre no estabelecimento a pedir schnaps e filosofia clássica:
- Filosofia grega? Só servimos isso com um copo de leite, que é o que aquele povinho pederasta devia tomar, enquanto currava cabras e se amasiava com outros machos. Não! Se quer schnaps vai ter filosofia alemã. Kant desce bem, mas recomendo um Schopenhauer pra começar…
- (interrompendo) Não conheço essa marca de Chopp, além do mais eu quero schnaps, e…
Invariavelmente o incauto era expulso a pontapés do bolicho…
Até que tentaram convencer o Klaus a pegar leve com os não-iniciados.
- Mas, Klaus, pega leve com o pessoal…
- Ah, é? E posso saber porque eu deveria?
- Ora, pois isso aqui é um estabelecimento que visa o lucro, além do mais, há razões éticas envolvidas…
- E o que tu entendes de ética, diabo?
- Escrevi dois artigos sobre…
- Sobre…
- Ética a Nicômaco e… ah, nada…
- Fala!
- Não, eu…
- Fala!
- Spinoza, mas…
Menos um freguês pro bolicho. O Klaus – sujeito bem humorado – tolera tudo exceto provocação.




